Percebendo a Providência

Diz o Talmud:

“Criei o mundo somente para os completamente justos e para os completamente pecadores”.

 

É compreensível que o mundo tenha sido criado para os absolutamente justos, mas por que o mundo não foi criado também para aqueles que não são nem absolutamente justos nem pecadores absolutos?

 

Inadvertidamente, percebemos a Providência de acordo com o modo como nos afeta.

É “boa” e “gentil” se nos agrada; e “dura”, se nos causa sofrimento.

Isto é, consideramos o Criador bom ou mau, dependendo de como percebemos nosso mundo.

Por conseguinte, nós os seres humanos, percebemos a Providência do Criador sobre o mundo somente de duas maneira: ou a percebemos, e vemos a vida como algo maravilhoso; ou negamos a Providência do Criador sobre o mundo, e assumimos que este é governado por “forças da natureza”.

 

Apesar de possivelmente percebermos que o último cenário é improvável, nossas emoções, em vez de nossa razão, determinarão nossa atitude para com o mundo. Portanto, quando observamos a disparidade entre nossas emoções e nossa razão, começamos a nos considerar pecadores.

 

Quando compreendermos que o Criador deseja nos conferir somente benefícios e o bem, perceberemos que isso só será possível se nos aproximarmos d’Ele.

E, assim, quando nos sentirmos distanciados do Criador, perceberemos isso como “mau” e, então, nos consideraremos pecadores.

Mas, se sentirmos que somos tão malvados, a ponto de implorarmos ao Criador que nos salve, pedindo-Lhe que se revele para nos dar o poder de fugir da prisão de nosso egoísmo para o mundo espiritual, então Ele nos ajudará imediatamente.

É por essa forma de condição humana que este mundo e os mundos superiores foram criados.

 

Quando atingirmos o nível de pecadores absolutos, poderemos rogar ao Criador e, eventualmente, subir ao nível  dos absolutamente justos.

Assim, só poderemos ser dignos de perceber a grandeza do Criador depois de nos termos libertado de toda a presunção e de termos reconhecido a impotência e a baixeza de nossos desejos  pessoais.

Quanto mais importância atribuirmos à proximidade com o Criador, mais O perceberemos e melhor poderemos discernir Seus diversos matizes e manifestações em nossa vida diária.

 

Essa profunda e comovente veneração por Ele gerará sentimentos em nossos corações, e, como resultado, a alegria fluirá internamente.

 

Podemos ver que não somos melhores que os que nos cercam, e, porém, também podemos ver que, diferente de nós, outros não ganharam a atenção especial do Criador.

Mais ainda, outros nem sequer têm consciência de que existe a possibilidade de se comunicar com o Criador; também não lhes interessa percebê-los e entender o significado da vida e do progresso espiritual.

Por outro lado, não fica claro para nós como é que somos merecedores de uma relação tão especial com o Criador, que nos oferece, embora apenas ocasionalmente, a oportunidade de nos preocupar com o propósito da vida e de nosso vínculo com Ele.

Se nesse ponto pudermos apreciar a atitude especial do Criador para conosco, então poderemos experimentar gratidão e alegria ilimitadas.

 

Quanto mais pudermos apreciar o sucesso individual, mais profundamente agradeceremos ao Criador.

Quanto mais matizes de sentimentos experimentarmos em cada ponto e instante particular de contato com o Criador, melhor apreciaremos a grandeza do mundo espiritual que nos for revelada, assim como a grandeza e poder do Criador onipotente.

Isso traz como resultado o fortalecimento da confiança com a qual podemos antecipar nossa futura unificação com Ele.

 

Ao contemplar a vasta diferença entre as características do Criador e a de Seus seres criados, é fácil chegar à conclusão de que ambos podem vir a ser compatíveis somente se os seres criados alterarem sua natureza absolutamente egoísta.

Isso é possível apenas se as pessoas se anularem, como se não existissem; portanto, não há nada que as separe do Criador.

Somente se sentirmos que, sem termos uma vida espiritual, estamos mortos (como quando a vida deixa o corpo), e somente se sentirmos um ardente desejo de uma vida espiritual, poderemos receber a possibilidade de entrar nessa vida espiritual e respirar o ar espiritual.

Uma resposta para “Percebendo a Providência”

  1. Acredito que sem a analise deste texto, jamais chegaria a conclusão de que este mundo foi criado para contemplar 2 categorias: dos justos e dos pecadores. É mais fácil identificar os complemente pecadores, pois estou neste hall e se trata da maioria esmagadora. Mas se todos possuem “Tikuns” para resgatar, podemos considerar que os justos são aqueles que atingiram um tal nível de elevação que os assemelharam aos justos?
    Realmente um ensinamento profundo.

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